Jornalista Carlos Heitor Cony morre no Rio de Janeiro, aos 91 anos

Morreu na noite desta sexta-feira (05) o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony, aos 91 anos. Ele deixa a viúva Beatriz Lajta e três filhos: Regina, Verônica e André. O jornalista estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Cony era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele estava internado por problemas no intestino e a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.

Os pais de Carlos Heitor Cony foram Ernesto Cony Filho, jornalista, e Julieta Moraes Cony. Cony pronunciou suas primeiras palavras aos cinco anos, em reação ao barulho provocado por um hidroavião em Niterói. Foi alfabetizado em casa. Estudou em um seminário em Rio Comprido até 1945, quando abandonou antes de ordenar-se padre. Chegou a cursar a Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, mas interrompeu também antes de concluir, e teve sua primeira experiência como jornalista no Jornal do Brasil cobrindo férias de seu pai.

Trabalhou como funcionário público da Câmara Municipal do Rio de Janeiro até 1952, quando se tornou redator da Rádio Jornal do Brasil. Em 1960 entrou para o Correio da Manhã, jornal que publicara o polêmico editorial “Basta!” contra João Goulart. Cony foi um dos que se arrependeram de apoiar a queda de Goulart que resultou no golpe militar de 1964 e veio depois a opor-se abertamente ao golpe, tendo sido preso por seis vezes ao longo do período do regime militar. Como editorialista do Correio da Manhã, escreveu textos de crítica aos atos da ditadura militar. Foi incitado a se demitir do matutino (cerca 1965). Recebia pensão do governo federal em decorrência de legislação que autoriza pagamento de indenização aos que sofreram danos materiais e morais vitimados pela ditadura militar. O benefício, chamado de prestação mensal permanente continuada, foi aprovado pela Comissão de Anistia em 21 de junho de 2004, correspondendo à época em cerca de 23 mil reais, que seria o salário que receberia no jornal caso não tivesse sido obrigado a se desligar. O valor mensal foi à época limitado a R$ 19.115,19, então o teto do funcionalismo.

 
 


Carlos Heitor já publicou contos, crônicas e romances. Seu romance mais famoso é de 1995, Quase Memória, que vendeu mais de 400 mil exemplares. Esse livro marca seu retorno à atividade de escritor/romancista. Seu romance, A Casa do Poeta Trágico, foi escolhido o Livro do Ano, obtendo o Prêmio Jabuti, na categoria ficção.

Desde 2006, seus livros são publicados pela Editora Objetiva, que pretende relançar toda a sua obra.






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