Cinco vÃtimas de desabamento no Rio podem nunca ser encontradas

Cinco vÃtimas de desabamento no Rio podem nunca ser encontradas
O número oficial de mortos até a noite de domingo (29/01) era de 17 pessoas, quatro delas sem identificação. Foram encontrados também, misturados ao entulho retirado do local, restos humanos. Os exames de DNA para identificação de vÃtimas começam nesta segunda-feira (30). Nesta segunda, a rotina nos arredores da avenida Treze de Maio começa a voltar ao normal. Já entre as famÃlias que seguem sem notÃcias dos parentes, a sensação é de que o tempo parou.
As famÃlias de desaparecidos no desmoronamento de três prédios no centro do Rio entram nesta segunda-feira (30) no quinto dia de vigÃlia sem saber o que esperar da conclusão da operação de resgate. Neste domingo (29) o comandante dos bombeiros, coronel Sérgio Simões, admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de que algumas vÃtimas da tragédia jamais sejam encontradas.
“Existe a possibilidade de (corpos) terem sido carbonizados. Nesse caso, não estamos mais procurando corpos, mas ossos, dentes”, lamentou Simões.
Embora as autoridades descartem a possibilidade, algumas pessoas ainda parecem esperar rever os parentes com vida. A maioria não gosta de dar entrevistas. Não quer que seus parentes sejam dados como mortos, ver suas fotos nos jornais. “Não recebemos ainda qualquer informação”, contou César Sabará, irmão de Eliete Machado, cujo marido, Franklin, não havia sido encontrado até o fim da tarde de hoje.
- Minha irmã fica naquela expectativa. É difÃcil ele ter sobrevivido, mas ela quer ver, quer enterrar.
A Defesa Civil trabalha com um número oficial de nove desaparecidos, por ser este o número de famÃlias reclamando parentes. Mas, como há quatro corpos sem identificação, os bombeiros procuram por mais cinco corpos.
Os quatro corpos sem identificação permanecem no IML, além de seis fragmentos localizados nos escombros que foram levados para o depósito de Duque de Caxias. O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, que mantém equipes na Câmara e no IML, informou que o acompanhamento deverá ser feito em casa.
- Imagino que ficar na Câmara não será mais necessário, mas estamos à disposição. É muito sofrimento, são nove famÃlias e quatro corpos. A PolÃcia Civil vai agilizar os exames de DNA.
A intenção dos parentes era ficar o mais perto possÃvel dos prédios, não só para ter notÃcias, mas também por uma questão emocional, como se o afastamento fÃsico da Cinelândia fosse sinônimo de desistência.
Indenização
As famÃlias que perderam parentes no desabamento dos três prédios no centro do Rio poderão receber, cada uma, cerca de R$ 200 mil de indenização por danos morais, segundo cálculo do procurador-geral da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ), Ronaldo Cramer. Ações desse tipo levam em média cinco anos para serem concluÃdas, afirmou o advogado.
Se forem confirmadas 22 mortes, seriam cerca de R$ 4,4 milhões, sem contar ressarcimentos por danos materiais, que acontecem no caso de a vÃtima ser a responsável pelo sustento da famÃlia. Para chegar ao valor da indenização individual, Cramer baseou-se em processos semelhantes de danos morais que já tiveram decisão final da Justiça.
Para darem inÃcio à s ações, no entanto, os parentes precisam que a polÃcia aponte um ou mais responsáveis pela tragédia, de quem serão cobradas as indenizações.
Câmeras instaladas pela Prefeitura
A Prefeitura instalou câmeras de segurança no depósito da Comlurb na Rodovia Washington LuÃs, em Caxias, para onde foram levados os entulhos dos três prédios e onde os bombeiros ainda procuram por corpos de vÃtimas. As câmeras monitoram os trabalhos para evitar desvio de bens. Nos primeiros dias, houve denúncias de que parte do material estaria sendo recolhido irregularmente.
(*) Com informações do R7
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