Palavra proferida pelo Pr. Isaac Ferreira Pimentel, na solenidade de formatura da FATEBI

Por Redação - Rádio Gospel FM



Pr. Isaac Pimentel é pastor da Primeira Igreja Batista de Bom Jesus do Itabapoana

Pr. Isaac Pimentel é pastor da Primeira Igreja Batista de Bom Jesus do Itabapoana

Saúdo ao presidente da ABENF, ao Diretor da FATEBI, ao Corpo Docente e Discente, aos Colegas Pastores, Irmãos e Irmãs em Cristo, e em especial aos amados Formandos.

Manifesto minha gratidão a Deus, e aos diletos formandos pelo honroso convite.

Afirmo que ter sido professor de vocês, muito me honra.

Entendo ser este um momento propício para a última aula que darei a vocês no curso de teologia. Uma aula de 20 min como recomendada.

No livro de Ester nos deparamos com uma pergunta de Mardoqueu à rainha Esther que respeitando o contexto, pode ser aplicada a este momento.

“E quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegastes ao reino?” (Ester 4.14.b)

“E quem sabe não foi para este tempo que chegaram ao ministério?” Qual tempo? Tempo pós-moderno.

O pós-modernismo teve seu inicio após a queda do muro de Berlim em 1989. Ao entrarmos na década de 90 as pessoas estavam confusas, perdidas, sem ideal, sem sonhos, com o naufrágio das ideologias.

A política não resolveu o socialismo, o comunismo e o capitalismo que não foram soluções para o mundo. A ciência também não foi a solução, temos grandes avanços, mas estamos destruindo o nosso planeta. Nossos rios estão podres, o ar esta poluído, o buraco na camada de ozônio está cada vez maior.  Diante destes fatos, percebe-se uma que entramos num período chamado pós-moderno, que é o nosso tempo, que tem como principais características o SECULARISMO, O PLURALISMO E O SENTIMENTALISMO. O nosso tempo é um tempo secularizado.

  1. I. Secularização.

As pessoas não levam em conta mais Deus. É uma sociedade humanizada. O Humanismo produziu o liberalismo teológico. O liberalismo teológico, nega a autoridade das escrituras, colocada a razão humana acima das escrituras, produzindo relativismo ético. No liberalismo não há valores absolutos, certo e errado.

O secularismo produziu o pragmatismo.  O pragmatismo que tem suas raízes no darwinismo e humanismo secular é inerentemente relativista, rejeitando também a noção dos absolutos, certo e errado, bem e mal, verdade e erro.  É última análise, o pragmatismo define a verdade como aquilo que da certo, e não no que é certo. Meus amados alunos não é isto que temos visto em nossos tempos? Onde tudo é válido, nada é errado, desde que se alcance resultados práticos?

II. Pluralização.

O nosso tempo é tempo de pluralismo, é como um supermercado com várias ofertas para o mesmo produto.  Se não há valores absolutos, tudo é relativo. No pluralismo vivemos um Tempo de ausência de princípios éticos e morais. A ausência dos valores éticos e morais nos ministérios têm colocado em descrédito o ministério pastoral.

  1. III. Sentimentalismo.

As minhas decisões são de fórum pessoal. Eu me senti muito bem, cada um na sua. As escolhas são pessoais. Não aceita dogma, doutrinas e instituições.

O que importa é sentir fortes emoções como diz o cantor Roberto Carlos.  Pr. Wander Gomes pregando no retiro de pastores batista diz que certa senhora após o culto em sua igreja fez a seguinte observação: “Hoje não gostei do culto, por que não senti arrepios.” Se o negocio é sentir arrepios então enfie o dedo na tomada de energia elétrica complementou o Pr. Wander.

Tempo de fascinação pelo místico. A igreja no Brasil tem uma fascinação pelo místico, O Brasil é um solo fértil para o misticismo. Igreja usa sal grosso, óleo ungido, água do Jordão, mel de Israel. O negócio é sensorial… Fala-se língua estranha. “Como por exemplo: ré- ré-réreé...” (Apenas para os formandos.…)

Mas se o nosso tempo apresenta estas características desafiadoras, tempos difíceis, são exatamente para esse tempo que Deus está levantando vocês meus queridos formandos, levantando com a missão de dar uma resposta aos desafios deste tempo.

Levantado neste tempo para que?

LEVANTADO NESTE TEMPO PARA…

  1. 1. Resgatar a autoridade pastoral.

O que precisamos com urgência em nossos dias não é de pregadores eloqüentes, mas, de pregadores piedosos.

A vida do ministro é a vida do seu ministério. A profundidade de um ministério é medida não pelo sucesso diante dos homens, mas pela intimidade com Deus.

Uma vida ungida produz um ministério ungido. Stott afirma que uma das áreas mais importantes no ministério, é a vida do pregador.

A cada ano cresce o número de pastores que naufragam no ministério por causa de sexo, dinheiro e poder. É assustador o número de pastores que estão subindo nos púlpitos a cada domingo exortando o povo a santidade, combatendo o pecado e ao mesmo tempo, vivendo uma duplicidade, uma mentira dentro de casa, sendo maridos infiéis. Rev. Hernandes dias Lopes afirma que a classe pastoral está em crise. Crise familiar, crise teológica, crise espiritual.  O crescimento dos evangélicos no Brasil nos últimos anos produziu uma desconfiança na classe pastoral. Revista secular publica os escândalos produzidos por pastores no meio evangélico brasileiro. Esperamos que vocês como homens e mulheres de Deus, como pastores e líderes batista resgatem a autoridade do ministério.

LEVANTADO NESTE TEMPO PARA…

  1. 2. Resgatar a prioridade de pregação.

Há um declínio da pregação como forma distinta de comunicação da vontade revelada na sua palavra. Em muitas igrejas a pregação tem sido substituída por um número cada vez maior de atividades.

Quando falo de prioridade, não afirmo que a pregação seja a única tarefa do pastor, nem que todo pastor tem que ser um grande orador. Por prioridade entende-se que entre todas as atividades atribuídas ao pastor, a pregação coloca-se em primeiro lugar.

Martyn Lloyd-Jones afirmou que: A obra da pregação é mais elevada, a maior e mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser convocado…

Percebe-se cada vez o empobrecimento do púlpito em nossas igrejas. “Uma vez empobrecido encontra-se substituto, como culto show, culto a personalidade, testemunhos mirabolantes etc…” Aliás, vale ressaltar que no meio “evangélico” nacional, coisas espantosas tem sido feitas. Há expulsões de demônios esdrúxulos, como o da obesidade, da caspa e da bronquite…

Lloyd Jones comenta que elemento de entretenimento foi introduzido nos cultos à medida que a pregação perdeu sua importância no ministério pastoral. Percebe-se que a igreja evangélica distancia-se muito da reforma protestante e do pensamento dos reformadores. Meus queridos alunos, a pregação da palavra deve ocupar o lugar supremo da vida de vocês, dos seus propósitos, dos seus interesses, das suas ocupações, dos seus estudos e esforços.

LEVANTADO NESTE TEMPO PARA…

  1. 3. Resgatar a autoridade das escrituras.

É tempo de ressaltar que a bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana, sendo Deus seu verdadeiro autor. Portanto, autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pela qual devem ser aferidas as doutrinas e a conduta dos homens. Resgatamos a autoridade das escrituras quando pregamos expositivamente. Pregar expositivamente é antes de tudo pregar a bíblia. Não é pregar sobre a bíblia, mas pregar a bíblia. John Stott observou certa vez: “toda pregação cristã é pregação expositiva”. A pregação expositiva tem sido a prática usada pelo povo de Deus há séculos. Seu fundamento está alicerçado nas escrituras. Em (2 Tim 3. 16-17) Paulo afirma que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para correção, para educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Paulo tinha um conceito elevado das escrituras como Palavra de Deus e todo pregador expositivo deve ter conhecimento sólido da inerrãncia, infabilidade das escrituras.

O Rev. Hernandes Dias Lopes em seu livro, a importância da pregação expositiva, ressalta que as instituições teológicas das igrejas evangélicas brasileira deveriam rever seus currículos a fim de ajustá-las a uma abordagem mais expositiva.

Portanto, quero parabenizar a direção da FATEBI por ter ajustado o seu currículo e ser uma das poucas em nosso meio a dar esta abordagem. Os grandes pregadores da história da igreja eram expositores . A mensagem de Deus é que deve ser pregada, e não os pensamentos dos homens.

CONCLUSÃO

Não tive a pretensão de abordar todas as marcas deste tempo em que estamos vivendo, no entanto, meus queridos alunos, pretendo encorajá-los a serem homens e mulheres que resgatem neste tempo: A autoridade do ministério pastoral, autoridade da bíblia e priorizem a pregação no ministério que exercerão ao saírem deste seminário. Ed. René Kivitz afirma que certa vez foi abordado por uma ovelha que diz: não se fazem mais pastores como antigamente”. Pastor Ed. René respondeu: Não se faz pastores como antigamente, justamente pelo fato de que já não se fazem pastores para antigamente. Quem sabe não foi para este tempo que Deus os levantou?  A minha oração é que  Deus, o nosso Senhor vos abençoe. Amém!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Lopes, Hernandes Dias. A importância da pregação expositiva para o crescimento da igreja. São Paulo; Candeia, 2004.

Kivitz, Ed René. Quebrando paradigmas. São Paulo; Aba 1995.

Stott, John R. w. Eu creio na pregação. São Paulo; Vida, 2003.

Lloyd-jones, D. Martyn. Pregação e pregadores. São Paulo: Fiel, 1986.

Pimentel, Isaac Ferreira. Resgatando a prioridade da pregação. Viçosa; CEM, 2005

Comente esta noticia!